O
artigo de Aretio (2017) intitulado “Educación
a distancia y virtual: calidad, disrupción, aprendizajes adaptativo
y móvil”
traz importantes contribuições acerca das potencialidades da
chamada educação virtual. Analisando brevemente a influência do
avanço das tecnologias no cotidiano social, o autor utiliza-se do
conceito de “ruptura”, inicialmente pensado para explicar a
substituição de produtos e serviços em nossa sociedade
contemporânea por novos modelos, para pensar como tal fenômeno se
conformaria no âmbito da educação. Ao que conclui que, da mesma
forma que em outras dimensões da vida humana, as tecnologias
proporcionam “perturbações” também, no campo educacional.
Entretanto,
diversos estudiosos ainda apontam frágil aporte teórico nesta
modalidade de ensino, quando consideramos que a EaD envolveria muito
mais que, apenas o gerenciamento de recursos humanos e tecnológicos,
para a finalidade educacional.
Neste
sentido, o interacionismo tem oferecido um arcabouço teórico capaz
de explicar o processo de ensino-aprendizagem e, da relação entre
professor e aluno (aluno-aluno, aluno-ambiente, etc...), de forma
satisfatória pois, vencendo o dualismo apresentado pelas teorias
“empirista” e, “inatista”, ele apresenta a realidade como
resultado da interação entre a experiência sensorial e, a razão.
Neste sentido, caberia ao professor “provocar situações
pedagógicas ricas em desafios, capazes de provocar desequilíbrios
ou ‘desacomodações’ nos esquemas prévios do aprendente”
(PRETI, 2009, p. 54), numa espécie de mediação, em que o professor
educa, ao mesmo tempo em que é educado pelo aluno.
Neste
sentido, cabe-nos refletir acerca do ambiente de aprendizagem e do
papel, não menos importante, dos educadores (docentes e, tutores)
neste complexo processo de aprendizagem, envolvendo as TICs.
De
acordo com a “Teoria da Comunidade de Investigação”, a
aprendizagem dar-se-ia através de uma comunidade que estimulasse a
criatividade e, senso crítico de seus partícipes. Neste sentido,
far-se-ia necessárias três modalidades de presença, no ambiente
educacional à distância: a cognitiva, em que caberia aos educadores
o apoio à construção individual do aluno; a social, através do
AVA, mediante o apoio à construção coletiva do conhecimento e; a
presença de ensino, referente às necessárias orientações de
leitura, explanações nas aulas, mediações nos chats, dentre
outros.
A
interação entre tais “presenças”, por sua vez, proporcionaria
a criação de um clima de aprendizagem (social+ensino), uma
plataforma de suporte ao educando (social+cognitiva) e, finalmente, a
seleção de conteúdos apropriados para o propósito educacional
(cognitiva+ensino). Do conjunto delas, num processo (e)mediado pela
equipe polidocente, poderíamos, enfim, obter uma experiência
educacional efetiva, na modalidade à distância.
Por
sua vez, segundo Salmon, os educadores e, tutores, devem possuir a
compreensão de que a e-moderação envolve cinco diferentes níveis:
o primeiro deles, conhecido como de “acesso e, motivação”,
refere-se à necessidade de propiciar a adaptação do educando às
ferramentas de aprendizagem; em seguida, conhecido como o nível de
“socialização online”, seria tarefa dos educadores a criação
de uma cultura de grupo, mediante o incentivo ao trabalho
colaborativo; o terceiro nível, conhecido como de “maturação do
grupo”, refere-se à tarefa de facilitação da interlocução e
reflexão dos aprendentes que, a esta altura, já teriam iniciado o
processo de partilha de interesses comuns; o quarto nível, por sua
vez, implicaria no estímulo da equipe à aprendizagem colaborativa,
com ênfase na construção do conhecimento, bem como na interação
teoria e, prática; finalmente, o último nível conduziria o alunado
à sua autonomia, mediante o incentivo à reflexão e, pensamento
crítico.
Obviamente
que, à uma proposta educativa que preveja a construção coletiva do
conhecimento, objetivando a autonomia dos educandos, não caberia uma
proposta avaliativa aos moldes convencionais: neste sentido, a
avaliação deve, sobretudo, oferecer um diagnóstico inicial do
domínio das condições de aprendizagem do público-alvo, ser
contínua (e, portanto, avaliar todo o processo formativo do aluno),
e orientadora (de forma a proporcionar ao educador uma reflexão
quanto às estratégias até então utilizadas, bem como a
possibilidade de adoção de novas – e diferentes – estratégias).
Referências
ARETIO,
Lorenzo G.. Educación
a distancia y virtual: calidad, disrupción, aprendizajes adaptativo
y móvil.
RIED. Revista Iberoamericana de Educación a Distancia, Madri, v. 20,
n. 2, p. 09-25, 2017. Disponível em:
http://dx.doi.org/10.5944/ried.20.2.18737 Acesso em 23/06/18.
______________.
Educacion a distancia y virtual, 2017.
PRETI,
Orestes. Educação
a distância: fundamentos e políticas.
Cuiabá: EdUFMT, 2009. Disponível em http://goo.gl/c40FS7 Acesso em:
23 nov. 2017.