Educação Aberta na Pedagogia 2.0
O alto nível de desenvolvimento científico e, tecnológico experimentado na contemporaneidade tem trazido, para os mais diferentes espaços de produtividade e, interação humana, mudanças significativas. No espaço educacional não seria diferente, muito embora muitos educadores resistam à presença de instrumentos tecnológicos no espaço da sala-de-aula.
Não obstante as possíveis implicações negativas do advento, a utilização de tais recursos tecnológicos em nossa vida cotidiana não deve ser negada (pesquisas indicam que, no Brasil – país que ainda padece de surpreendentes desigualdades sócio-econômicas – mais da metade da população permanece nas redes por seis ou, mais horas diárias), muito embora seu uso, não raro, seja proibido no ambiente escolar, por serem vistos como recursos que impedem a atenção e, prejudicam a aprendizagem.
Neste sentido, no ano de 2012, um projeto desenvolvido pela Comunidade Européia e, intitulado “The Onlife Initiative: concept reengineering for rethinking societal concerns in the digital transition” tem-nos apontado a inexorabilidade do advento, bem como da necessidade de abolição do velho dualismo, na realidade hiperconectada das atuais gerações – ou, pelo menos, de parte significativa dela –, de uma vida “off ou online” e, sugerindo, inclusive, a fundação de um novo conceito: onlife (MOREIRA, 2018, p. 06).
Por vezes, a compreensão acerca da necessidade de utilização das tecnologias em sala-de-aula (por parte de alguns que, vêm-se como progressistas), é vista por alguns educadores como a possibilidade de “replicar” o ambiente convencional de ensino-aprendizagem ao ambiente virtual. Entretanto a nova configuração dos espaços de aprendizagem só pode ser realizada mediante “a convergência de interesses e objetivos, planos e ações de trabalho conjunto e colaborativo que se formalizam na participação e nas interações sociais e cognitivas entre os membros das comunidades”. (DIAS, p.12)
Por sua vez, o advento da Web 2.0 (conceito que se refere à segunda geração de comunidades e serviços na World Wide Web, que inaugura a compreensão da rede mundial enquanto espécie de plataforma, envolvendo, dentre outros, as redes sociais e, a construção compartilhada do conhecimento) inaugurou o que alguns teóricos chamam de Pedagogia 2.0.
A Pedagogia 2.0, por sua vez, baseada na utilização dos recursos da Web 2.0 e, assentada na participação em comunidades de rede, na personalização da experiência de aprendizagem e, produtividade relacionada com a criação do conhecimento (LEE; McLOUGHLIN, 2007; McLOUGHLIN; LEE, 2011, In: MOREIRA, 2015) surge para atender à antigas demandas no ambiente educacional como o ensino particularizado e, a construção coletiva de um conhecimento aplicável às reais necessidades dos educandos, sociedade e, mercado.
Neste sentido, “o rápido crescimento dos Recursos Educacionais Abertos (REA) na Web 2.0, promovendo o acesso e uso livre de conteúdos e tecnologias, tem favorecido a construção coletiva do conhecimento com base numa reconstrução colaborativa e redistribuição partilhada, e tem proporcionado mudanças de práticas e formas de aprender que visam a autonomia, a coautoria e a socialização” (OKADA, 2014, In: MOREIRA, 2015, p. 84).
Desta forma, a sociedade do século XXI, mediante a utilização das novas ferramentas de comunicação e informação, seria capaz de construir redes de conhecimento continuamente atualizados, através das quais a clássica e, hierárquica relação professor-aluno seria substituída por um verdadeiro “ecossistema de conhecimento”, baseado em competências como aplicabilidade dos saberes adquiridos (literacias fundacionais), competências-chave (como o pensamento crítico, criatividade, comunicação e colaboração) e, finalmente, as qualidades de caráter (relativas à capacidade de adaptação ao ambiente que nos cerca, mediante a persistência e, adaptabilidade) (MOREIRA, 2018, p. 10).
Referências:
DIAS, Paulo. Inovação pedagógica para a sustentabilidade da educação aberta e em rede. Educação, Formação & Tecnologias (julho/dezembro, 2013), v. 6. 2013.
MOREIRA, José Antônio. Pedagogia 2.0 na Web Social e o seu impacto no autoconceito de estudantes de pós-graduação. Revista da FAEEBA – Educação e Contemporaneidade, Salvador, v. 24, n. 44, p. 83-95, jul./dez. 2015.
________. Reconfigurando Ecossistemas Digitais de aprendizagem com Tecnologias Audiovisuais. EmRede – Revista de Educação à Distância, v. 5, n. 1, pp. 5-15. 2018.
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