quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Recomendações para a produção textual em grupo sobre a cibercultura na perspectiva estruturante e multirreferencial


As mudanças ocorridas nas tecnologias de informação e, comunicação, nos últimos tempos, sobretudo à partir do advento da WEB 2.0, tem trazido uma série de possibilidades para sua utilização, dentre outros, no campo educacional.
Até a década de 1990, os computadores pessoais (PCs) eram, ainda, bastante caros e, a rede (WEB) utilizada como uma ferramenta para seus usuários que (os internautas) limitavam-se à “navegar, assistir e copiar” seus conteúdos (SANTOS, 2015, p. 135), uma vez que a possibilidade de interatividade exigia um conhecimento mínimo de linguagem de programação.
À partir do surgimento da WEB 2.0, através de ferramentas como os blogs e, redes sociais (Facebook, Orkut, Twitter, Wiki, etc...) o usuário passou à poder interagir e, produzir conteúdos, bem como divulgá-los, de forma muito mais fácil e, autônoma, efetivando a idéia de um ciberespaço, enquanto uma “internet habitada por seres humanos que produzem, autorizam e constituem comunidades e redes sociais por e com as mediações das tecnologias digitais em rede” (SANTOS, 2015, p. 135).
A potencialidade despertada pela liberdade de expressão autoral, de interlocução e, colaboração das ferramentas disponíveis, hoje em dia, em feito com que passemos, cada vez mais tempo em frente aos microcomputadores (quando em locais fixos) mas, principalmente em celulares, tabletes e outros que, nos desobrigam a necessidade de permanecermos num determinado local físico.
Pesquisas indicam que o brasileiro passa, em média, diariamente, mais de três horas conectado (GlobalWebIndex). Algumas outras chegam à indicar que adolescentes chegam à passar cerca de cinco horas nas redes sociais e, esta tem sido uma realidade que tem modificado consideravelmente a rotina das escolas.
Na tentativa de não oferecer resistência inócua às potencialidades das novas tecnologias, para o campo educacional, professores têm, não raramente, realizado infindos debates acerca dos limites para utilização da WEB na rotina escolar.
Entretanto, tais debates, na maioria das vezes, limita-se à tentativa de disciplinar o uso de tais ferramentas e, quando em sua utilização parra fins educativos resume-se à “distribuição de conteúdo via site para upload ou download” (SANTOS, p. 143).
Neste sentido e, considerando que “inclusão digital supõe apropriar-se ou apoderar-se do novo paradigma técnico midiático para empoderar-se como sujeitos autorais e participativos no espaço e no ciberespaço” (SANTOS, p. 140), faz-se importante, ao professor, observar que o advento da cibercultura proporcionou elementos fundamentais para a compreensão do interesse das novas (e, antigas) gerações ao mundo da World Wide Web. E que, portanto, a sua utilização em sala de aula só fará sentido se aquele ambiente for coerente com princípios e valores como a autonomia, democracia e, o respeito à diversidade. Em outras palavras:

Uma vez que se consolida como ambiência comunicacional favorável a autoria, compartilhamento, conectividade, colaboração e interatividade, a cibercultura, em sua fase atual, potencializa as práticas pedagógicas baseadas em fundamentos valorizados, como autonomia, diversidade, diálogo e democracia (SANTOS, p. 137).

Esta mudança de postura (inclusive relacional), em sala de aula, perpassaria, inevitavelmente, também a escolha das ferramentas e, atividades à serem desenvolvidas: o e-mail seria, por exemplo, substituído por uma ferramenta mais dinâmica e que, proporcione a construção coletiva, como os blogues, vez que a WEB 2.0 se baseia, exatamente, na participação e colaboração autoral de seus usuários (motivo pelo qual tornou-se tão popular e, corriqueiro entre seus usuários).

Referências

SANTOS, Edmea. A mobilidade cibercultural: cotidianos na interface educação e comunicação. In: Em Aberto, Brasília, v. 28, n. 94, p. 134-145, jul/dez.

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