As
mudanças ocorridas nas tecnologias de informação e, comunicação,
nos últimos tempos, sobretudo à partir do advento da WEB 2.0, tem
trazido uma série de possibilidades para sua utilização, dentre
outros, no campo educacional.
Até
a década de 1990, os computadores pessoais (PCs) eram, ainda,
bastante caros e, a rede (WEB) utilizada como uma ferramenta para
seus usuários que (os internautas) limitavam-se à “navegar,
assistir e copiar” seus conteúdos (SANTOS, 2015, p. 135), uma vez
que a possibilidade de interatividade exigia um conhecimento mínimo
de linguagem de programação.
À
partir do surgimento da WEB 2.0, através de ferramentas como os
blogs e, redes sociais (Facebook, Orkut, Twitter, Wiki, etc...) o
usuário passou à poder interagir e, produzir conteúdos, bem como
divulgá-los, de forma muito mais fácil e, autônoma, efetivando a
idéia de um ciberespaço, enquanto uma “internet habitada por
seres humanos que produzem, autorizam e constituem comunidades e
redes sociais por e com as mediações das tecnologias digitais em
rede” (SANTOS, 2015, p. 135).
A
potencialidade despertada pela liberdade de expressão autoral, de
interlocução e, colaboração das ferramentas disponíveis, hoje em
dia, em feito com que passemos, cada vez mais tempo em frente aos
microcomputadores (quando em locais fixos) mas, principalmente em
celulares, tabletes e outros que, nos desobrigam a necessidade de
permanecermos num determinado local físico.
Pesquisas
indicam que o brasileiro passa, em média, diariamente, mais de três
horas conectado (GlobalWebIndex). Algumas outras chegam à indicar
que adolescentes chegam à passar cerca de cinco horas nas redes
sociais e, esta tem sido uma realidade que tem modificado
consideravelmente a rotina das escolas.
Na
tentativa de não oferecer resistência inócua às potencialidades
das novas tecnologias, para o campo educacional, professores têm,
não raramente, realizado infindos debates acerca dos limites para
utilização da WEB na rotina escolar.
Entretanto,
tais debates, na maioria das vezes, limita-se à tentativa de
disciplinar o uso de tais ferramentas e, quando em sua utilização
parra fins educativos resume-se à “distribuição de conteúdo via
site para upload ou download” (SANTOS, p. 143).
Neste
sentido e, considerando que “inclusão digital supõe apropriar-se
ou apoderar-se do novo paradigma técnico midiático para
empoderar-se como sujeitos autorais e participativos no espaço e no
ciberespaço” (SANTOS, p. 140), faz-se importante, ao professor,
observar que o advento da cibercultura proporcionou elementos
fundamentais para a compreensão do interesse das novas (e, antigas)
gerações ao mundo da World Wide Web. E que, portanto, a sua
utilização em sala de aula só fará sentido se aquele ambiente for
coerente com princípios e valores como a autonomia, democracia e, o
respeito à diversidade. Em outras palavras:
Uma vez que se consolida como
ambiência comunicacional favorável a autoria, compartilhamento,
conectividade, colaboração e interatividade, a cibercultura, em sua
fase atual, potencializa as práticas pedagógicas baseadas em
fundamentos valorizados, como autonomia, diversidade, diálogo e
democracia (SANTOS, p. 137).
Esta
mudança de postura (inclusive relacional), em sala de aula,
perpassaria, inevitavelmente, também a escolha das ferramentas e,
atividades à serem desenvolvidas: o e-mail seria, por exemplo,
substituído por uma ferramenta mais dinâmica e que, proporcione a
construção coletiva, como os blogues, vez que a WEB 2.0 se baseia,
exatamente, na participação e colaboração autoral de seus
usuários (motivo pelo qual tornou-se tão popular e, corriqueiro
entre seus usuários).
Referências
SANTOS,
Edmea. A mobilidade cibercultural: cotidianos na interface educação
e comunicação. In: Em Aberto, Brasília, v. 28, n. 94, p. 134-145,
jul/dez.
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