quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Educação a distância, rupturas e tecnologias móveis



É hoje mais importante saber chegar à informação de que se necessita, do que a que se consegue arquivar nos nossos cérebros” (SIEMENS, 2005).


Com o advento da internet e, mais tarde, a sua utilização para fins educacionais, estabeleceram-se novos paradigmas para o ambiente pedagógico que, invariavelmente, forçam-nos à repensar o papel do professor (frente às mudanças ocorridas desde o espaço físico escolar, passando pelas ferramentas de trabalho e, até mesmo o perfil de nosso alunado) e, mesmo, da escola contemporânea. Analisando brevemente a influência do avanço das tecnologias no cotidiano social, Aretio (2017) utiliza-se do conceito de “ruptura”, inicialmente pensado para explicar a substituição de produtos e serviços em nossa sociedade contemporânea por novos modelos, para pensar como tal fenômeno se conformaria no âmbito da educação. Ao que conclui que, da mesma forma que em outras dimensões da vida humana, as tecnologias proporcionam “perturbações” também, no campo educacional.
No referido artigo, intitulado “Educación a distancia y virtual: calidad, disrupción, aprendizajes adaptativo y móvil”, Aretio (2017) traz importantes contribuições acerca das potencialidades da chamada educação à distância ou, educação virtual. Nele, discorre acerca das resistências, ainda existentes à estes sistemas de ensino/aprendizagem que, em suas palavras “no suponen otra cosa que tratar de resistirse a la democratización del acceso a una educación de calidad sin restricciones de tiempo, espacio, ritmos de aprendizaje, vida laboral, ocupaciones familiares, libertad de movimiento, nivel educativo, etc” (p.10).
Segundo Moreira e Dias (2018) o professor que, intencionalmente, utiliza os ambientes de aprendizagem online, proporcionam espaços coletivos e colaborativos de comunicação e de troca de informação, de forma à facilitar, dentre outros, a construção de comunidades de aprendizagem prática.Neste sentido, cabe-nos destacar o resultado de uma pesquisa desenvolvida pelo Departamento de Educação dos Estados Unidos da América que nos aponta que estudantes da metodologia “online” teriam mostrado melhores resultados que aqueles do ensino presencial. E que, à ambos, superariam os estudantes da modalidade semipresencial (ARETIO, 2017).
Conclui-se, portanto, que o rendimento final dos alunos dependeria muito mais dos planos pedagógicos de cada ação formativa que, dos recursos utilizados e que, portanto, projetos pedagógicos construídos de forma rigorosa seriam capazes de assegurar resultados bastante satisfatórios, seja na educação em formato presencial ou, à distância.
Finalmente, pesquisa recente indica que, desde 2016, nos países desenvolvidos, cerca de 95% da população possuiria um aparelho celular (nos países em desenvolvimento este número não seria menor que 90%), bem como que, no mesmo ano, cerca de 51,3% do acesso à internet ter-se-ia dado mediante aparelhos móveis (celulares e tabletes). Daí, infere as potencialidades no uso desta ferramenta para a aprendizagem, na modalidade conhecida como “m-learning”, em especial ao que se refere à aprendizagem interativa, onipresença e individualização dos estudos.

Referência

ARETIO, Lorenzo G.. Educación a distancia y virtual: calidad, disrupción, aprendizajes adaptativo y móvil. RIED. Revista Iberoamericana de Educación a Distancia, Madri, v. 20, n. 2, p. 09-25, 2017. Disponível em: http://dx.doi.org/10.5944/ried.20.2.18737 Acesso em 05/03/18.

MOREIRA, J. A; DIAS-TRINDADE, S. Reconfigurando ambientes virtuais de aprendizagem com o whatsapp. Revelli. V.10, n.3, p.1-18, 2018.

NÓVOA, A. Os professores e a sua formação. Lisboa: Dom Quixote, 1991.

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