“É hoje mais importante saber
chegar à informação de que se necessita, do que a que se consegue
arquivar nos nossos cérebros” (SIEMENS, 2005).
Com o advento da internet e, mais
tarde, a sua utilização para fins educacionais, estabeleceram-se
novos paradigmas para o ambiente pedagógico que, invariavelmente,
forçam-nos à repensar o papel do professor (frente às mudanças
ocorridas desde o espaço físico escolar, passando pelas ferramentas
de trabalho e, até mesmo o perfil de nosso alunado) e, mesmo, da
escola contemporânea. Analisando brevemente a influência do avanço
das tecnologias no cotidiano social, Aretio (2017) utiliza-se do
conceito de “ruptura”, inicialmente pensado para explicar a
substituição de produtos e serviços em nossa sociedade
contemporânea por novos modelos, para pensar como tal fenômeno se
conformaria no âmbito da educação. Ao que conclui que, da mesma
forma que em outras dimensões da vida humana, as tecnologias
proporcionam “perturbações” também, no campo educacional.
No referido artigo, intitulado
“Educación a distancia y virtual: calidad, disrupción,
aprendizajes adaptativo y móvil”, Aretio (2017) traz importantes
contribuições acerca das potencialidades da chamada educação à
distância ou, educação virtual. Nele, discorre acerca das
resistências, ainda existentes à estes sistemas de
ensino/aprendizagem que, em suas palavras “no suponen otra cosa que
tratar de resistirse a la democratización del acceso a una educación
de calidad sin restricciones de tiempo, espacio, ritmos de
aprendizaje, vida laboral, ocupaciones familiares, libertad de
movimiento, nivel educativo, etc” (p.10).
Segundo Moreira e Dias (2018) o
professor que, intencionalmente, utiliza os ambientes de aprendizagem
online, proporcionam espaços coletivos e colaborativos de
comunicação e de troca de informação, de forma à facilitar,
dentre outros, a construção de comunidades de aprendizagem
prática.Neste sentido, cabe-nos destacar o resultado de uma pesquisa
desenvolvida pelo Departamento de Educação dos Estados Unidos da
América que nos aponta que estudantes da metodologia “online”
teriam mostrado melhores resultados que aqueles do ensino presencial.
E que, à ambos, superariam os estudantes da modalidade
semipresencial (ARETIO, 2017).
Conclui-se, portanto, que o
rendimento final dos alunos dependeria muito mais dos planos
pedagógicos de cada ação formativa que, dos recursos utilizados e
que, portanto, projetos pedagógicos construídos de forma rigorosa
seriam capazes de assegurar resultados bastante satisfatórios, seja
na educação em formato presencial ou, à distância.
Finalmente, pesquisa recente
indica que, desde 2016, nos países desenvolvidos, cerca de 95% da
população possuiria um aparelho celular (nos países em
desenvolvimento este número não seria menor que 90%), bem como que,
no mesmo ano, cerca de 51,3% do acesso à internet ter-se-ia dado
mediante aparelhos móveis (celulares e tabletes). Daí, infere as
potencialidades no uso desta ferramenta para a aprendizagem, na
modalidade conhecida como “m-learning”, em especial ao que se
refere à aprendizagem interativa, onipresença e individualização
dos estudos.
Referência
ARETIO, Lorenzo G.. Educación a
distancia y virtual: calidad, disrupción, aprendizajes adaptativo y
móvil. RIED. Revista Iberoamericana de Educación a Distancia,
Madri, v. 20, n. 2, p. 09-25, 2017. Disponível em:
http://dx.doi.org/10.5944/ried.20.2.18737 Acesso em 05/03/18.
MOREIRA, J. A; DIAS-TRINDADE, S.
Reconfigurando ambientes virtuais de aprendizagem com o whatsapp.
Revelli. V.10, n.3, p.1-18, 2018.
NÓVOA, A. Os professores e a sua
formação. Lisboa: Dom Quixote, 1991.
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