Outro
público que têm imensamente utilizado desta modalidade de
ensino-aprendizagem são, exatamente, os professores. Dada a
necessidade de atualização constante em suas respectivas áreas ou,
na área didático-pedagógica, para melhor exercício laboral, este
grupo de pessoas, muitas vezes, encontrava sérias dificuldades em
adequarem seus estudos à rotina de aulas, nas escolas e,
universidades, de forma à não abandonarem seus postos de trabalho
e, com isso, implicarem na organização das instituições e, na
rotina de seus alunos.
Contudo,
os benefícios referentes ao estímulo à maior autonomia do aluno,
implicam em uma gama de compromissos/ responsabilidades.
Esta
modalidade de estudos (o autoestudo) abarca, dentre outros, a
necessidade de construção de um planejamento criterioso, por parte
do alunado, que envolva desde a escolha do ambiente de estudos –
preferencialmente um espaço com poucos ruídos e, onde se possa ter
pouca (ou nenhuma) interrupção –, passando pela construção de
“metas de estudos” (diárias, semanais, semestrais, etc), até a
criação de estratégias próprias para apropriação dos conteúdos
(elaboração de resumos, mapas mentais, anotações, dentre outros)
e, autopremiações (estímulo/ incentivo).
Outra
questão recorrentemente subestimada pelos aprendentes online se
refere à indissociabilidade entre o processo educativo e, a
necessidade humana de socialização, base do desenvolvimento humano,
de acordo com a teoria sócio-interacionista de Vygotsky.
Diferentemente do ambiente escolar convencional, em que o contato com
o outro constitui fator inevitável, na aprendizagem online, esta
deve ser uma preocupação constante do aprendiz, afinal de contas,
só assim poderá trocar/ compartilhar compreensões e, através
deste processo, enriquecer o seu próprio aprendizado.
Entretanto,
a distância “física” e, “temporal”, características do
processo de ensino-aprendizagem online, implica em uma ritualística
própria, que alguns autores chamam de “netiqueta”. A necessidade
de que tragamos, em nossa experiência de contato com os demais
alunos, à distância, certa “urbanidade relacional” perpassa,
desde a nossa capacidade de “ouvir” o outro (e, portanto, não
permitir isolar-se no ambiante virtual, respondendo às mensagens
recebidas, mediadas pelo tutor), à sermos objetivos em nossas
próprias colocações (a grande quantidade de alunos querendo ser
ouvidos, mutuamente, implica na necessidade de sermos todos(as)
diretos, porém, gentis).
Finalmente,
àquelas somam-se desde a necessidade de sermos prudentes quanto à
linguagem à ser utilizada (não devemos ser demasiadamente
rebuscados mas, tampouco exageradamente coloquiais), até o
compromisso colaborativo nos fóruns e, chats (contribuindo com a
construção coletiva do conhecimento), através de certo cuidado com
elementos mais técnicos, como: a formatação dos textos, o
preenchimento da “linha de assunto” e a fundamental atenção à
quem respondemos, nas
mensagens.
Referências
VYGOTSKY,
L. S. A formação social da mente. São Paulo, Martins Fontes, 1991.
DE
SOUZA, Simone; FRANCO, Valdeni S.; F. COSTA, Maria Luisa. Educação
a distância na ótica discente. Universidade de São Paulo. São
Paulo, 2016.
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