segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Recomendações para estudar e aprender nos espaços online

Um dos principais benefícios da aprendizagem online, está exatamente no fato de que “o tempo” do aluno passa à ser priorizado. Não é à toa que estudantes que trabalham ou, possuem outras atividades que dificultariam, por exemplo, a disponibilidade de um turno inteiro (durante a maior parte da semana) dedicados ao deslocamento e, permanência em salas de aulas regulares, com horários de aulas pré-definidos (construídos à partir da disponibilidade das instituições de ensino de salas de aula, pessoal técnico especializado, professores e, servidores administrativos em geral) têm, em grande monta, optado (quando podem escolher) por esta modalidade.
Outro público que têm imensamente utilizado desta modalidade de ensino-aprendizagem são, exatamente, os professores. Dada a necessidade de atualização constante em suas respectivas áreas ou, na área didático-pedagógica, para melhor exercício laboral, este grupo de pessoas, muitas vezes, encontrava sérias dificuldades em adequarem seus estudos à rotina de aulas, nas escolas e, universidades, de forma à não abandonarem seus postos de trabalho e, com isso, implicarem na organização das instituições e, na rotina de seus alunos.
Contudo, os benefícios referentes ao estímulo à maior autonomia do aluno, implicam em uma gama de compromissos/ responsabilidades.
Esta modalidade de estudos (o autoestudo) abarca, dentre outros, a necessidade de construção de um planejamento criterioso, por parte do alunado, que envolva desde a escolha do ambiente de estudos – preferencialmente um espaço com poucos ruídos e, onde se possa ter pouca (ou nenhuma) interrupção –, passando pela construção de “metas de estudos” (diárias, semanais, semestrais, etc), até a criação de estratégias próprias para apropriação dos conteúdos (elaboração de resumos, mapas mentais, anotações, dentre outros) e, autopremiações (estímulo/ incentivo).
Outra questão recorrentemente subestimada pelos aprendentes online se refere à indissociabilidade entre o processo educativo e, a necessidade humana de socialização, base do desenvolvimento humano, de acordo com a teoria sócio-interacionista de Vygotsky. Diferentemente do ambiente escolar convencional, em que o contato com o outro constitui fator inevitável, na aprendizagem online, esta deve ser uma preocupação constante do aprendiz, afinal de contas, só assim poderá trocar/ compartilhar compreensões e, através deste processo, enriquecer o seu próprio aprendizado.
Entretanto, a distância “física” e, “temporal”, características do processo de ensino-aprendizagem online, implica em uma ritualística própria, que alguns autores chamam de “netiqueta”. A necessidade de que tragamos, em nossa experiência de contato com os demais alunos, à distância, certa “urbanidade relacional” perpassa, desde a nossa capacidade de “ouvir” o outro (e, portanto, não permitir isolar-se no ambiante virtual, respondendo às mensagens recebidas, mediadas pelo tutor), à sermos objetivos em nossas próprias colocações (a grande quantidade de alunos querendo ser ouvidos, mutuamente, implica na necessidade de sermos todos(as) diretos, porém, gentis).
Finalmente, àquelas somam-se desde a necessidade de sermos prudentes quanto à linguagem à ser utilizada (não devemos ser demasiadamente rebuscados mas, tampouco exageradamente coloquiais), até o compromisso colaborativo nos fóruns e, chats (contribuindo com a construção coletiva do conhecimento), através de certo cuidado com elementos mais técnicos, como: a formatação dos textos, o preenchimento da “linha de assunto” e a fundamental atenção à quem respondemos, nas mensagens.

Referências
VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo, Martins Fontes, 1991.
DE SOUZA, Simone; FRANCO, Valdeni S.; F. COSTA, Maria Luisa. Educação a distância na ótica discente. Universidade de São Paulo. São Paulo, 2016.




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