quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Fundamentos da Educação a Distância: teoria da comunicação dialógica


Nas últimas décadas, as pesquisas a respeito de experiências de Ensino à Distância (EaD) têm aumentado significativamente. Um levantamento preliminar, realizado no ano de 2006, no banco de dissertações e teses da CAPES e em revistas científicas brasileiras, apontou para um crescimento de mais de 300%, apenas entre os anos de 1999 e, 2004.
Entretanto, teóricos ainda apontam frágil aporte teórico nesta modalidade de ensino, quando consideramos que a EaD envolveria muito mais que, apenas o gerenciamento de recursos humanos e tecnológicos, para a finalidade educacional.
No campo educativo, o interacionismo tem oferecido um arcabouço teórico capaz de explicar o processo de ensino-aprendizagem e, da relação entre professor e aluno (aluno-aluno, aluno-ambiente, etc...), de forma satisfatória para diversos teóricos da área pois, vencendo o dualismo apresentado pelas teorias “empirista” e, “inatista”, apresenta a realidade como resultado da interação entre a experiência sensorial e, a razão. Neste sentido, caberia ao professor “provocar situações pedagógicas ricas em desafios, capazes de provocar desequilíbrios ou ‘desacomodações’ nos esquemas prévios do aprendente” (PRETI, 2009, p. 54), numa espécie de mediação, em que o professor educa, ao mesmo tempo em que é educado pelo aluno. Desta forma, a interação entre os elementos partícipes do processo ensino-aprendizagem possui fundamental importância e tem sido compreendido para além das limitações geográficas, entre alguns teóricos da EaD, alcançando o “ciberespaço” e, mesmo, às “redes de aprendizagem”.
No sentido de “vencer as barreiras” da distância física, para a modalidade da Educação à Distância, importantes contribuições nos foram oferecidas pelo sueco Börje Holmberg, em artigos das décadas de 1970 e 80, em que propunha a sua compreensão como uma espécie de “conversação didática guiada, com propósito educativo” (PRETI, 2009, p. 65). Para ele, o estudante seria motivado por certo sentimento de “relação pessoal” com o processo de ensino-aprendizagem proporcionado, na educação presencial, pela conversação direta e, neste sentido, far-se-ia fundamental à modalidade à distância, proporcionar ferramentas ao educando capazes de satisfazer à esta necessidade, seja na escolha do material didático ou, mesmo, no processo de comunicação entre os diversos atores da EaD (alunos, tutores, professores, etc...).
A comunicação, no ambiente educacional, deixaria de ser pensada nos moldes do modelo clássico, unilateral (professor fala, aluno escuta), dando margem à sua compreensão como ferramenta dialógico e, portanto, capaz de superar “as diferenças (professor-aluno) da relação de poder e dominação e das ideologias”, vez que secundarizaria “os conteúdos, seus fundamentos, valores, intenções e, determinações” (PRETI, 2009, p. 67).
Contudo, a principal crítica ao esforço de Holmberg de construir um escopo teórico para a EaD talvez, esteja justamente aí: quais seriam os limites do processo comunicativo, no intento de “dissolver” tais elementos que são construídos mediante forte aparato ideológico? Seria a comunicação dialógica, gerida pelo professor, capaz de construir relações efetivamente horizontalizadas? Estas são algumas das muitas perguntas que, um campo ainda em construção, necessitam responder.

Referência
PRETI, Orestes. Educação a distância: fundamentos e políticas. Cuiabá: EdUFMT, 2009. Disponível em http://goo.gl/c40FS7 Acesso em: 23 nov. 2017.

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