Nas
últimas décadas, as pesquisas a respeito de experiências de Ensino
à Distância (EaD) têm aumentado significativamente. Um
levantamento preliminar, realizado no ano de 2006, no banco de
dissertações e teses da CAPES e em revistas científicas
brasileiras, apontou para um crescimento de mais de 300%, apenas
entre os anos de 1999 e, 2004.
Entretanto,
teóricos ainda apontam frágil aporte teórico nesta modalidade de
ensino, quando consideramos que a EaD envolveria muito mais que,
apenas o gerenciamento de recursos humanos e tecnológicos, para a
finalidade educacional.
No
campo educativo, o interacionismo tem oferecido um arcabouço teórico
capaz de explicar o processo de ensino-aprendizagem e, da relação
entre professor e aluno (aluno-aluno, aluno-ambiente, etc...), de
forma satisfatória para diversos teóricos da área pois, vencendo o
dualismo apresentado pelas teorias “empirista” e, “inatista”,
apresenta a realidade como resultado da interação entre a
experiência sensorial e, a razão. Neste sentido, caberia ao
professor “provocar situações pedagógicas ricas em desafios,
capazes de provocar desequilíbrios ou ‘desacomodações’ nos
esquemas prévios do aprendente” (PRETI, 2009, p. 54), numa espécie
de mediação, em que o professor educa, ao mesmo tempo em que é
educado pelo aluno. Desta forma, a interação entre os elementos
partícipes do processo ensino-aprendizagem possui fundamental
importância e tem sido compreendido para além das limitações
geográficas, entre alguns teóricos da EaD, alcançando o
“ciberespaço” e, mesmo, às “redes de aprendizagem”.
No
sentido de “vencer as barreiras” da distância física, para a
modalidade da Educação à Distância, importantes contribuições
nos foram oferecidas pelo sueco Börje Holmberg, em artigos das
décadas de 1970 e 80, em que propunha a sua compreensão como uma
espécie de “conversação didática guiada, com propósito
educativo” (PRETI, 2009, p. 65). Para ele, o estudante seria
motivado por certo sentimento de “relação pessoal” com o
processo de ensino-aprendizagem proporcionado, na educação
presencial, pela conversação direta e, neste sentido, far-se-ia
fundamental à modalidade à distância, proporcionar ferramentas ao
educando capazes de satisfazer à esta necessidade, seja na escolha
do material didático ou, mesmo, no processo de comunicação entre
os diversos atores da EaD (alunos, tutores, professores, etc...).
A
comunicação, no ambiente educacional, deixaria de ser pensada nos
moldes do modelo clássico, unilateral (professor fala, aluno
escuta), dando margem à sua compreensão como ferramenta dialógico
e, portanto, capaz de superar “as diferenças (professor-aluno) da
relação de poder e dominação e das ideologias”, vez que
secundarizaria “os conteúdos, seus fundamentos, valores, intenções
e, determinações” (PRETI, 2009, p. 67).
Contudo,
a principal crítica ao esforço de Holmberg de construir um escopo
teórico para a EaD talvez, esteja justamente aí: quais seriam os
limites do processo comunicativo, no intento de “dissolver” tais
elementos que são construídos mediante forte aparato ideológico?
Seria a comunicação dialógica, gerida pelo professor, capaz de
construir relações efetivamente horizontalizadas? Estas são
algumas das muitas perguntas que, um campo ainda em construção,
necessitam responder.
Referência
PRETI,
Orestes. Educação a distância: fundamentos e políticas. Cuiabá:
EdUFMT, 2009. Disponível em http://goo.gl/c40FS7 Acesso em: 23 nov.
2017.
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